#repost – Os Donos de Valéria
Antes das ruas, das casas e do nome Valéria, o lugar era só terra batida, mato fechado e silêncio. Um pedaço esquecido entre a cidade e o interior.
No século XIX, três grandes fazendas dominavam a região: Omaki, Temporal e Schindller — nomes que pareciam sobrenome de gente importante. Esses fazendeiros tinham tudo: terra, gado, lavoura. Tudo ali girava em torno deles.
Foi só por volta de 1920 que as famílias começaram a chegar, vindas do interior da Bahia. Fugindo da seca, traziam coragem no peito e esperança no bolso. Vieram a pé, em paus de arara, seguindo estrada de barro, em busca de trabalho nas fazendas.
Levantaram barracos de taipa, cozinharam em fogão de lenha, criaram filhos com o que tinham. Plantavam feijão, milho, mandioca, cuidavam do gado, tiravam leite. A produção seguia para a Cidade Baixa, onde eram realizadas a venda e a troca por sabão, tecidos, ferramentas e animais de pasto.
O povo fincou raiz. E mesmo sem luz, escola ou ruas, o que se formava ali era mais que um povoado: era resistência. Um bairro nascia. O nome Valéria só veio depois, em homenagem à filha de um fazendeiro.
Mas a verdadeira história começa bem antes — com o trabalho, com a terra, com as mãos calejadas de quem construiu tudo do zero.
Os fazendeiros foram donos da terra. Mas Valéria foi construída pelo povo trabalhador daquela época.
Texto e levantamento histórico: Tiago Cruz | @valerianewsoficial
( imagens geradas por inteligência artificial)

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